O que é taxa Selic ?

      A taxa Selic  serve de parâmetro para diversas outras taxas, como CDI, além de impactar outros aspectos da nossa vida financeira, tendo uma ligação bastante clara com a inflação.

     Imagine que você está assistindo TV, em determinado momento, O apresentador diz que a taxa básica de juros diminuiu. Os especialistas dizem que isso terá um grande impacto na economia e você logo percebe que isso parece ser algo bem Importante. Porém, é provável que você não faça idéia de como isso pode afetar a sua vida e na sua carteira de investimentos.

     É por isso que eu acho importante explicar conceitos que para alguns parecem básicos. Dessa forma, você terá maior condição de investir com inteligência e não se deixará levar pela enxurrada de notícias acerca desse tema. Mas, afinal, o que é a taxa SELIC?

     A definição do Banco Central, que é a instituição responsável pela criação dessa taxa.De acordo com o BC, “define-se taxa SELIC como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (ou SELIC) para títulos federais”.

    O valor da taxa em determinada data, o histórico e sua evolução, a sua relação com a inflação e os impactos que ela tem nos seus investimentos são pontos muito mais importantes de serem compreendidos.   O fato de a taxa SELIC ser responsabilidade do comitê de política monetária – o COPOM – essa instituição organiza reuniões que acontecem a cada 45 dias ou 8 vezes ao ano, para definir qual será a meta para a taxa SELIC.

     Após cada reunião, o COPOM disponibiliza uma ata com seu parecer e o resultado da taxa SELIC, que pode ser um aumento, redução  ou a manutenção da taxa no mesmo patamar.  Para chegar ao resultado, o Comitê leva em conta diversas projeções e estudos a respeito da atividade econômica brasileira e da inflação. Até mesmo boletins são emitidos com previsões de como a taxa SELIC deve se comportar nos próximos meses e nos próximos anos. Esses boletins, diga-se de passagem, não são tão confiáveis a ponto de serem levados em consideração para a tomada de decisão de investimentos e apenas refletem a expectativa do COPOM para a taxa SELIC nos próximos períodos.

   Muito melhor do que investir com base em projeções é ter uma estratégia muito bem documentada de investimentos. Vale lembrar  que o Banco Central também armazena um histórico completo da evolução da taxa SELIC, analisando esse histórico, juntamente com os boletins emitidos para determinadas épocas, é possível perceber como o COPOM errou suas projeções em diversas vezes.

    Você pode encontrar a evolução da taxa SELIC, bem como o histórico do Boletim Focus, um dos principais relatórios do Banco Central. Agora que já vimos o que é taxa SELIC e como ela é calculada, está na hora de entendermos qual é o seu real impacto em nossas vidas. E o primeiro ponto que podemos entender é a sua relação com a inflação. A SELIC está tão relacionada com isso que é possível considerar a taxa como um mecanismo de controle de inflação.

    Quando a inflação está em alta, ou seja, quando os preços estão subindo de uma forma mais rápida e até, podemos dizer descontrolada, o COPOM tende a escolher aumentar a taxa de juros para conter esse processo. Esse aumento acaba deixando mais difícil a obtenção de crédito, diminuindo o consumo e, conseqüentemente, a alta dos preços. O resultado é a queda da inflação depois de algum tempo.

   Quando a inflação está controlada, o COPOM tende a promover uma redução na taxa SELIC. Como conseqüência, temos um aumento na facilidade de obtenção de crédito e também o maior investimento por parte das empresas, afinal, “deixar o dinheiro parado” já não rende tanto. Podemos considerar que o Banco Central pode usar a taxa SELIC para estimular ou desestimular a atividade econômica, aumentando ou diminuindo a taxa de juros e proporcionando, por fim, o controle da inflação. E os investimentos?

    Alguns ativos do mercado financeiro são diretamente impactado pela variação da taxa SELIC. Esse é o caso do Tesouro SELIC, cuja rentabilidade está 100% ligada à taxa SELIC, da caderneta de poupança e dos títulos privados pós-fixados, aqueles que rendem um percentual do CDI, que também está diretamente ligado a taxa SELIC, como CDB’s, LCI’s,  LCA’s, Letras de Câmbio e aí por diante.  Para esses ativos, a  variação no indicador interfere diretamente na correção do valor a ser recebido por você, investidor, até a data de vencimento de cada título. Já para ativos pré-fixados, que são aqueles que pagam um dado percentual ao ano, como 10% ao ano, e atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+, o impacto da taxa SELIC acontece de forma indireta.

    E sobre renda variável? Os ativos de renda variável também podem ser impactados pela taxa SELIC, mas isso, assim como nos últimos ativos citados, ocorre de forma indireta. Um bom exemplo são os fundos imobiliários. Quando a taxa de juros está baixa, há um aumento na liberação de crédito que inclui financiamentos imobiliários. Com o mercado aquecido, é normal que os papéis dos segmentos comece a se valorizar, evidenciando o impacto da taxa SELIC.

   Algo muito semelhante pode ser constatado no mercado acionário e nas empresas de capital aberto. Com a baixa da SELIC, é normal as empresas voltarem a fazer investimentos, aumentando indiretamente o valor diante dos acionistas.  E é normal também as pessoas tirarem dinheiro da renda fixa para colocar em outros mercados, como o mercado acionário.  Porém, é importante entender que a correlação entre taxa SELIC e o mercado de renda variável não é direta. Os impactos podem existir, mas eles nem sempre são tão previsíveis ou controláveis.